
Quando nos referimos a vinhos espanhóis de qualidade Rioja e Ribera del Duero são as regiões que nos vem a mente, mas particularmente sou apaixonado pelos vinhos da região do Priorato. Diz a história que a produção de vinhos teria começado a 2000 anos atrás, durante a invasão dos romanos. Porém foi o mosteiro de monges cartuxos fundado pelo rei Afonso II de Aragão denominado Cartoixa de Scala Dei que deu o impulso para o plantio das uvas na região e da elaboração de vinhos de qualidade. Com o passar dos anos a região passou por tempos difíceis pois a instituição foi extinta em 1835, suas terras confiscadas e posteriormente revendidas e para complicar ainda mais surgiu a filoxera que destruiu a maioria dos seus vinhedos. A recuperação começou a ocorrer em 1954 com a criação da denominação de origem Priorat e com o esforço de alguns produtores que revolucionaram a vitivinicultura local. O resultado foi a produção de vinhos potentes elaborados com uvas locais como a Garnacha, Cariñena e Tempranillo e internacionais como Cabernet Sauvignon, Syrah, e Cabernet Franc, gerando vinhos potentes, estruturados com tremendo potencial de guarda e que preferencialmente atingem sua janela correta de consumo com mais de 10 a15 anos de guarda. Mais recentemente o estilo tem variado um pouco para vinhos mais leves e que exigem menos tempo de espera para serem consumidos, procurando atender a demanda do mercado e dos novos consumidores de vinhos. Vamos aos vinhos provados neste encontro de apreciadores de vinhos do Priorato que contou com a presença de Mainardi, Bronza, Rockman, Nelson Peixoto, Alessandro Tommasi, Marcelo Bernasconi , Los e este que vos escreve

1 – Scala Dei Cartoixa 2012 – Um corte de Garnacha e Cariñena com 15% de álcool e passagem de 24 meses em fudres, e barricas. Granada, alta concentração, halo de evolução. Ameixa preta, balsâmico, menta, ervas aromáticas, terroso e toque tostado. Na boca boa acidez, ponta de álcool ainda presente, taninos resolvidos, picante final de boca com fruta levemente passada que faz lembrar um porto. Surpreendeu por ser ainda jovem, mas parecer mais antigo. Euros 38 na Europa. Minha Nota 89 pts

- 2 -Cims de Porrera Classic 2005 – Varietal 100% Carineña com 14,5 % de álcool e passagem de 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Rubi, extra tinto leve halo. Aroma balsâmico, violetas, cereais secos, ameixa com evolução, chocolate e café. Na boca alta acidez, taninos resolvidos, encorpado, ponta de álcool, e final confirmado as frutas negras com evolução. Um vinho potente, mas amaciado pela passagem do tempo. R$1.350,00 na Casa Flora. Minha nota 89.5 pts

3 – Clos Morgador 2005 – Um corte de Garnacha, Cariñena, Cabernet Sauvignon e Syrah com 14,5% de álcool e passagem de 20 meses barricas francesas sendo 70% novas. Rubi, extra tinto, sem halo. Nariz complexo trazendo cerejas maduras com leve evolução, floral intenso lembrando violetas, balsâmico e tabaco. Na boca alta acidez, taninos sedosos á resolvidos, corpo médio, longo, final frutado com toque sanguíneo, cravo e tostado. Vinho complexo, elegante e perfeitamente equilibrado, meu favorito do painel comprovando ser de safra excelente. R$ 1.625 na Mistral para safra 2020 Minha Nota 94 pts

4 -Miserere Costers del Siurana 2005 Um corte de Garnacha, Cariñena, Cabernet Sauvignon, Merlot e Tempranillo com 14,5% de álcool e passagem de 18 meses em barricas francesas e americanas. Rubi extra tinto, leve halo. Nariz com frutas negras maduras com evolução, notas florais, balsâmicas, alcaçuz, grafite, especiarias doces, e tostado. Na boca boa acidez, taninos ainda presentes, encorpado, persistência longa. Um vinho estruturado, mais rústico e gastronômico. R$ 1.797 na Winerie.com – Minha Nota 93 pts

5 – Clos Figueres 2006 – Um corte de Garnacha, Cariñena, Syrah, Mourvèdre e Cabernet Sauvignon. com 14,5% de álcool e passagem de 14 meses em barricas de carvalho francês de 500 litros, novas e usadas. Rubi, extra tinto, leve halo. Nariz com boa complexidade, frutas vermelhas maduras, balsâmico, terroso, borracha, grafite e tostado. Na boca acidez correta, taninos ainda rascantes, alcoólico, estruturado, longo. Um vinho potente, profundo com tudo um pouco acima. R$ 1.254 na Mistral para safra 2017 – Minha Nota 90 pts

6 – Clos Morgador 2000 Um corte de Cabernet Sauvignon, Carignan, e Grenache com 14,5% de álcool e passagem de 18 meses em barricas francesas sendo 50% novas. Um vinho extra tinto, com halo aparente. Nariz austero com fosforo, frutas negras maduras, tabaco, grafite, toque herbáceo e tostado. Na boca acidez correta, taninos resolvidos, bom corpo, persistência longa macio, final de boca com ótimo balanço. Um vinho mais delicado e elegante do que seu irmão 2005 – R$ 1.625 na Mistral para safra 2020 Minha Nota 92 pts

7 – Priorat Rotllan Torra DOCA Tirant 2001 Um corte de Grenache, Samso, Coster, Cabernet Sauvignon, Syrah e Merlot.com 14% de álcool e passagem de 12meses em barricas francesas novas Alier. Granada, ralo, halo intenso. Frutas vermelhas maduras como amora, toque lácteo, azeitona preta, tabaco e toque mineral. Na boca alta acidez, taninos fins, suculento, corpo médio retrogosto confirmando as frutas vermelhas leve amargor e ponta de brett. Euros 46 na Europa – Minha Nota 91 pts
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