
A Miolo tem demonstrado através do tempo ser uma empresa arrojada, criativa e focada na alta qualidade de seus produtos. Fundada oficialmente no ano de 1989 por Darci Miolo, Paulo Miolo, e Antônio Miolo, a família já cultivava uvas muito antes da criação da empresa, mas sempre direcionada na venda das mesmas para outras vinícolas. A empresa teve algumas datas marcantes para seu crescimento: 1999 Início das exportações, Década de 2000 expansão e aquisições, como o da Almadem, 2004 Lançamento do primeiro vinho ícone Lote 43, 2003 contratação de Michel Rolland como consultor, 2012 participação na criação da primeira Denominação de Origem (D.O.) de vinhos do Brasil, Anos recentes- Conquista da certificação 100% vegana para todos os rótulos, forte crescimento no enoturismo, e criação de novas linhas de vinhos e ícones de diferentes regiões que hoje correspondem aos 7 lendários. E foi do jantar de lançamento da safra 2023 no restaurante Dalva e Dito que tive o prazer de participar e provar os 7 rótulos. Vale a pena lembrar que este lançamento só ocorre em safras excepcionais sendo a primeira em 2018, seguida da 2020 e da 2022.

Adriano Miolo resume muito bem sua filosofia. Os 7 lendários representam aquilo que a Miolo mais acredita, todo grande vinho nasce no vinhedo, nosso trabalho e compreender cada terroir, respeitar o tempo da natureza e aplicar o conhecimento acumulado ao longo dos anos para revelar o melhor de cada safra. Vamos agora conhecer cada um dos vinhos provados.

Testardi Syrah – Vale do São Francisco, com 16% de álcool e passagem de 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Rubi, extra tinto, sem halo. Nariz trazendo violetas, frutas negras como amoras, pimenta do reino, tinta de caneta e leve tosta. Na boca potente, mas elegante, alta acidez que equilibra o alto teor de álcool, taninos empoeirados, retrogosto frutado com leve tosta. Um vinho muito bem balanceado. R$ 229

Miolo Terroir – Vale dos Vinhedos com 14% de álcool e passagem de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano mais 6 meses em garrafa. Rubi, intenso, sem halo. Geleia de frutas vermelhas, lácteo, chocolate branco, caramelo e baunilha. Na boca acidez correta, taninos resolvidos, corpo médio, textura macia, retrogosto com forte presença de frutas vermelhas doces, e caramelo. Nesta safra mostrou seu lado mais frutado e doce R$ 239

Lote 43 – Vale dos Vinhedos Corte de Merlot e Cabernet Sauvignon com 15% de álcool e passagem de 12 meses em barricas novas de carvalho francês e americano. Rubi extra tinto, sem halo. Nariz complexo com frutas negras como ameixa, figo, toque mentolado, violetas, couro, especiarias doces, e tabaco. Na boca acidez cortante, taninos finos já prontos, encorpado, persistência longa, retrogosto com frutas negras maduras, tostado agradável e textura vibrante. Para mim o maior destaque entre todos os vinhos provados, me arrisco a dizer que esta safra irá ultrapassar a icônica safra de 1999, sensacional. R$ 674

Sebrumo – Campanha Meridional, varietal Cabernet Sauvignon com 16% de álcool e passagem de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. Violáceo bem concentrado, sem halo Nariz marcado pelas frutas negras frescas, especiarias como pimenta do reino, leve herbáceo, flores escuras e tostado bem dosado. Na boca alta acidez, taninos finos, encorpado, final de boca persistente. E animador ver como este vinho evoluiu comparado com o exemplar degustado no ano passado, para mim foi a surpresa e o melhor custo benefício do painel R$ 188

Quinta do Seival Castas Portuguesas – Campanha Meridional, corte de Touriga Nacional e Tinta Roriz com 14,3% de álcool e passagem de 12 meses por barricas francesas. Violáceo, extra tinto, sem halo. Nariz extremamente floral como violetas, ameixa preta, nanquim, ervas aromáticas e baunilha. Na boca. acidez intensa, taninos ainda rascantes, picante, corpo médio para amplo, e persistência longa. Vinho ainda jovem pedindo mais tempo em garrafa. R$ 158

Vinhas Velhas – Campanha Central varietal Tannat com 15,5% de álcool e passagem de 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Violáceo quase negro, superconcentrado sem halo. Frutas negras frescas em compota, toque herbáceo, grafite, cacau, pedra britada e leve baunilha. Na boca alta acidez taninos presentes de boa qualidade, estruturado, potente, mas mantendo o equilíbrio entre acidez, taninos e álcool. Um vinho carnudo, mas bem harmonioso, marcou presença. R$ 239

Sesmaria – Campanha Meridional corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Tannat, Tempranillo e Touriga Nacional com 15,5% de álcool e passagem 18 meses em barricas novas de carvalho francês, seguido por mais 12 meses de evolução na garrafa. Rubi, extra tinto, sem halo. Nariz complexo com frutas negras como cassis em compota, flores escuras, toque balsâmico, especiarias e baunilha. Na boca, alta acidez, taninos finos ainda bem-marcados, encorpado, ponta de álcool, mas com muita tensão. Um vinho com tudo um pouco a mais prometendo longa guarda tomá-lo agora para mim e infanticídio. R$ 1.240
Que painel maravilhoso, confirmando que é possível elaborar grandes tintos no Brasil, ainda por cima contando com uma safra considerada excepcional e histórica, e celebrada como a melhor dos últimos tempos. Meus destaques ficam para o Lote 43 que como dito acima promete superar o 1999 em qualidade, seguido pelo Sebrumo que cresceu demais comparado com a safra anterior. Finalmente para o Vinhas Velhas um Tannat domado extremamente harmonioso. Vamos ficar de olho na maturação da safra 2024 para ver os 7 Lendários novamente no ano que vem.

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