
Tudo começou em 1309, quando o Papa Clemente V conhecido apreciador de vinhos decidiu mudar a sede da Igreja Católica de Roma para Avignon, o que incentivou a viticultura na região. Mas foi seu sucessor, o Papa João XXII, o verdadeiro responsável pelo nome do vinho. Ele construiu uma fortaleza de veraneio batizada como Châteauneuf-du-Pape . Uma curiosidade: Em 1923, o Baron Le Roy, proprietário do Château Fortia liderou um movimento para proteger a qualidade do vinho local contra falsificações. Ele criou um conjunto de regras de produção que serviu de base para a criação, em 1936, do sistema de AOC (Appellation d’Origine Contrôlée) da França. Châteauneuf-du-Pape foi a primeira região vinícola a receber esse título. A utilização da garrafa com o brasão ocorreu no mesmo ano logo após a região obter o título de primeira AOC. A legislação da Châteauneuf-du-Pape permite a utilização de até 18 variedades de uvas sendo a Grenache a mais utilizada. Seus vinhos são potentes, estruturados, carnudos e com alto teor alcoólico entre os 14,5% e os 15% e seus taninos são intensos na juventude, mas tornam-se sedosos com o tempo. Olfativamente dependem das variedades utilizadas, mas normalmente são reconhecidas por frutas negras, ervas secas, especiarias, couro ou pelo de animal, e terra. Vamos conhecer agora os vinhos degustados

1 – Clos de Pape 2012 – Corte com Grenache, Mourvèdre, Syrah, Counoise, Vaccarese, Muscardin com 15 % de álcool e passagem 15 meses em barricas de carvalho francês – Rubi, alta concentração, leve halo. Nariz com frutas negras, azeitonas, especiarias doces, ervas aromáticas, cereais e tostado. Na boca, acidez correta, picante, alcoólico, encorpado, taninos bem presentes, final de boca austero. Vinho de qualidade ainda pedindo mais guarda – R$ 2.270 na WineBio – Minha nota 91 pts

2– Leon Perdigal 2023 – Corte com Cinsault, Grenache, Mourvèdre, Syrah com 15 % de álcool e passagem 12meses em barricas de carvalho francês. – Rubi, média concentração sem halo. Nariz com mirtilo e amora, violetas, toque de fosforo pimenta do reino e tostado. Na boca alta acidez, taninos verdes, persistência longa e final terroso. Um vinho jovem extremamente duro. – R$ 688 na Divinho – Minha nota 91 pts

3– Cristia 2010 – Corte com Grenache, Mourvèdre, Syrah 15 % de álcool e com a Grenache sem passagem por barricas, e as Mourvèdre, Syrah com 18 meses em barricas francesas – Violáceo extra tinto, leve halo de evolução. Nariz com frutas negras maduras, como pitanga, Kirsh, hortelã, especiarias, ervas secas, e grafite Na boca tripe acidez, taninos e álcool em harmonia, persistência longa, retrogosto confirmando as frutas e adicionando sottobosco. Um vinho mais simples, leve, mas comprovando ser de uma safra histórica no Rhone, aberto no momento certo de consumo – R$ 320 na Banca do Ramon – Minha nota 93 pts

4 – La Nerthe 1998 – Corte com Grenache, Syrah, Mourvedre, e Cinsault com 14 % de álcool e passagem 12 meses em barricas de carvalho francês – Granada com alta concentração de cor e halo de evolução. Nariz trazendo ameixa seca, chocolate amargo, tomilho, leve lácteo e couro. Na boca tripe acidez, álcool e tanino perfeitamente balanceados, corpo médio, persistência longa, e retrogosto confirmando ameixa e o couro. Um vinho, maduro em sua plenitude, com boa estrutura, textura sedosa, prontíssimo para o consumo, foi destaque. R$ 479 na Via Vini para safra 2013 – Minha nota 92 pts

5 – Domaine Villeneuve Les Vieilles Vignes 2011– Corte com Grenache, Syrah, Mourvedre, Cinsault e Clairette com 15 % de álcool e passagem de 24 meses em tanques de cimento – Granada, média concentração, halo de evolução. Olfativamente com frutas negras em compota, azeitonas, esmalte, couro, e toque terroso. Na boca acidez cortante, taninos ainda levemente presentes, textura picante, persistência média para longa e retrogosto com ervas secas e terroso. Um vinho mais frutado sem presença de madeira. – R$ 750 na Cellar – Minha nota 90,5 pts

6 – Pierre André 2018 – Corte com Grenache, Syrah, Mourvèdre, e 2% Outras com 14,5 % de álcool e passagem 18 meses em barricas de carvalho francês e 30 meses de afinamento em garrafa– Violáceo extra tinto, sem halo de evolução. Nariz com cerejas e amoras maduras, ervas secas, pimenta do reino toque terroso, e alcaçuz. Na boca alta acidez, taninos bem-marcados, alcóolico, longo final frutado e terroso. Vinho jovem, vibrante potente e alcóolico – R$ 893 na Anima Vinum – Minha nota 90,5 pts

7 – Domaine St Patrice Vieilles Vignes 2020 – Corte com Grenache, Mourvèdre, Syrah com 15 % de álcool e passagem de 14 meses em tanques de concreto e foudres de carvalho francês – Violáceo extra tinto, sem halo de evolução. Nariz com predominância de flores secas, frutas negras frescas, alcaçuz, especiarias e tabaco Na boca alta acidez, taninos verdes, alcoólico, persistência longa, duro, e final de boca desequilibrado com toque de bolor. Por um momento o vinho me pareceu bouchonné. R$ 850 no Santa Luzia – Minha nota 88 pts

Classificação do Luzia –º Lugar vinho 6 Pierre André 2018 –, 2º Lugar vinho 2 Leon Perdigal 2023, 3º Lugar vinho 1 Clos de Pape 2012, 4º Lugar vinho 4 La Nerthe 1998 – 5º Lugar vinho 3 Cristia 2010 – 6º lugar vinho 5 Domaine Villeneuve Les Vieilles Vignes 2011 – 7º Lugar vinho 7 Domaine St Patrice Vieilles Vignes 2020
Vinhos favoritos de cada degustador
Vinho 4 La Nerthe 1998 – Lieven, Susana e Regis
Vinho 3 Cristia 2010 – Tommasi e Humberto
Vinho 6 – Pierre André 2018 – Ricardo e Sergio
Vinho 1 – Clos de Pape 2012 – Sidney
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